Os trabalhadores bolivianos do setor de saúde decidiram manter uma greve que já dura mais de 50 dias, apesar de o governo do presidente Evo Morales ter prometido "garantir" por meio de um decreto a suspensão de uma norma que eleva a jornada de trabalho dos médicos para oito horas.
Hospitais permaneceram fechados pela sétima semana consecutiva, apesar de as autoridades terem dado como "superado" o problema após acordos com dirigentes universitários e a suspensão temporária da lei rechaçada pelos funcionários do setor.
Alfonso Barrios, presidente do Colégio Médico, afirmou que "a greve continua" e que "não há acordo" até que o decreto seja anulado definitivamente. Para ele, os trabalhadores consideram essa norma "um engano", uma tentativa de desmobilizar o protesto.
O líder acrescentou ainda que a classe não quer "ser enganada" como aconteceu com os indígenas quando Morales promulgou no último mês de outubro uma lei que proibia a construção de uma rodovia que cortaria a maior reserva do país.
De acordo com os trabalhadores da saúde, o aumento da carga horária sem compensação não resolve a quase crônica carência de hospitais, equipes, instrumentos, remédios e pessoal qualificado.
Daiane Medeiros Araujo, Eliene Gomes da Silva, Jakeline Daniele da Nóbrega, João Batista de Souza, Luciano Marcolino, Maria de Fátima Alves de Medeiros, Maria Izabel de Brito Fernandes, Marinalva Pereira dos Santos, Patrícia Carla Medeiros Martins. Estudantes do curso Licenciatura Plena em Geografia, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
sábado, 19 de maio de 2012
Bolívia: belezas naturais num roteiro pouco conhecido
Não muito distante da cidade de Puerto Suarez, pouco mais de 270 quilômetros, está localizado o povoado de “Chochis”. A localidade, com população que gira em torno de mil habitantes, traça seus limites dentro da cidade de Roboré, capital da província de Chiquitos, que pertence ao departamento (estado) de Santa Cruz. Considerada Patrimônio Natural e Cultural em nível municipal e departamental, Chochis reserva ao lado de paisagens naturais incríveis, um clima de paz e sossego que tanto bem fazem à alma. Por lá, o tempo parece esquecer da pressa e nossos olhos, encantados, de se fecharem num cochilo que o clima de tranquilidade nos convida.
Surgido devido à construção da linha de ferro para o trem que liga o Brasil à cidade de Santa Cruz de la Sierra (capital do departamento de Santa Cruz), o povoado começou como um acampamento de trabalhadores que, aos poucos, foi crescendo. Mas, o fato que entregaria a Chochis uma das mais belas construções arquitetônicas, está relacionado a um triste episódio ocorrido em 1979, quando uma forte chuva devastou a localidade e destruiu os trilhos de trem que davam acesso ao local, deixando as pessoas a mercê dos caprichos da natureza. Muitas morreram e a única alternativa diante do desespero que tomava aqueles que buscavam escapar das águas foi a fé na Virgen Asunta. O socorro veio do céu, com helicópteros que retiraram do local os que buscavam abrigo nas partes mais altas da região.
Como prova de reconhecimento da ajuda divina, o povoado começou em 1988 a construção de uma capela em homenagem à santa. A conclusão foi em 1992, após um primoroso trabalho do artista Hans Roth, restaurador das igrejas das Missões Jesuíticas, em conjunto com artistas locais. Nas formas talhadas em madeira, a história do povoado, os traços de sua gente e episódios bíblicos, mesclados formando um sincretismo singular.
O Santuário da Torre
Na parte externa da capela, a Galería de los Desastres registra em quadros talhados em madeira toda a história de destruição e salvação de Chochis durante a forte chuva de 1979. Em trabalho similar, também estão registrados os passos da Paixão de Cristo.
Próximas à porta que conta o momento da criação, duas colunas de 100 metros de altura cada uma, compõe “El Teatro”, local dedicado à mescla da cultura pagã com o cristianismo, imprimindo em imagens, rostos de habitantes e costumes locais a simbolismos religiosos em forma de totens. À esquerda, a Dança da Morte e à direita, a Dança da Vida.
La muela del diablo
Seja pela estrada bioceânica ou pela linha férrea, uma formação rochosa se destaca na paisagem de serras de Chochis. É a Torre de David, ou a popularmente conhecida como “muela del diablo”, o que em português podemos traduzir como molar (dente) do diabo. Partindo dos fundos do Santuário da Torre, um trajeto de subida nos leva bem próximo deste ponto e, no caminho, mais um sinal de devoção religiosa. Outra imagem da Virgen Asunta, protegida por uma gruta, onde fiéis dedicam pedidos e orações.
Subindo pouco mais, se chega ao Vigilante, obra talhada em uma grande pedra, representando um homem sentado com um grande chapéu, vigiando todo o povoado e o Santuário. Deste ponto, se tem uma linda vista de Chochis e do bosque seco chiquitano.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Bolívia vive tensão após 7 semanas de conflitos não resolvidos pelo governo
A Bolívia vive momentos de convulsão após sete semanas de conflitos
trabalhistas e sociais, com greves e manifestações que se sucedem sem
pausa e frequentemente terminam em violência, e muitos analistas e
políticos opinam que o presidente Evo Morales se mostra incapaz de
resolvê-los.
A Fundação Milênio, centro de estudos privado que analisa a crônica de conflito boliviana, comentou nesta sexta-feira que Morales parece despreocupado com os conflitos porque avalia que boa parte dos que protagonizam o caos sejam seus aliados, e o líder acredita que "não querem derrubá-lo" do poder.
"Mas estão imobilizando-o e o impedem de governar, além de afetar seriamente os cidadãos e danificar seus esforços produtivos", destaca o Milênio, que registrou 80 conflitos em março e 100 em abril.
Ao término de três dias de greve geral nesta sexta-feira, o líder da Central Operária Boliviana (COB), maior entidade sindical do país, o mineiro Juan Carlos Trujillo, advertiu a Morales que, se o governo continuar sem dar respostas às reivindicações dos sindicatos, os manifestantes radicalizarão os protestos na próxima semana.
A greve da COB, uma das maiores bases de apoio que Morales perdeu desde que chegou ao poder em 2006, teve pouco eco nos centros de trabalho, pois só foi total em hospitais estatais e universidades, embora reforçada por grandes manifestações e bloqueios de vias em várias regiões.
Trujillo classificou como êxito as mobilizações da COB e disse que Morales "tem a obrigação de responder favoravelmente" a suas demandas, como um aumento salarial superior a 8% aprovado pelo líder e a derrogação do decreto que eleva a jornada de trabalho de médicos e funcionários de saúde de seis para oito horas.
A COB anunciou nesta sexta-feira que, na próxima semana, haverá uma reunião de dirigentes em Oruro e poderia decidir uma greve geral por tempo indeterminado.
Na segunda e terça-feira, os motoristas e proprietários de transporte público paralisaram totalmente La Paz e a cidade vizinha de El Alto, e em menor medida outros povoados, para contestar uma nova lei de trânsito. Diante da falta de soluções, também ameaçam retomar os protestos nos próximos dias.
A marcha de centenas de indígenas da Amazônia contra uma estrada promovida por Morales e financiada pelo Brasil, projetada para partir em duas a reserva natural Tipnis, segue avançando em direção a La Paz, apesar da fustigação do governo e de seus partidários.
Uma primeira passeata contra essa estrada percorreu quase 600 quilômetros entre agosto e outubro passados e conseguiu superar as barricadas de fiéis a Morales e a repressão policial, que custou o cargo a ministros, vice-ministros e comandantes policiais.
Os indígenas foram recebidos em La Paz de forma triunfal e obrigaram Morales a decretar uma lei que proíbe qualquer rodovia no Tipnis, mas o líder descumpriu sua palavra e busca retomar as obras, que lhe custaram seus princípios de ambientalista e indigenista.
O ministro de governo boliviano, Carlos Romero, afirmou nesta sexta-feira que os conflitos não têm chance de causar uma crise de governabilidade, em resposta aos políticos, colunistas e analistas que consideram esse risco maior a cada dia.
"Há reivindicações sociais e atores políticos que buscam se aproveitar dessa situação. Não diria que é desestabilizadora, porque não têm chances de provocar uma crise de governabilidade, e menos ainda uma crise de Estado", declarou Romero à rede de televisão "Uno".
O escritório da ONU na Bolívia manifestou preocupação porque os protestos afetam "os direitos humanos da população", e pediu ao governo "adotar todas as medidas a seu alcance para respeitar, proteger e garantir o usufruto desses direitos".
"O protesto impulsionado durante mais de 40 dias pelos trabalhadores do setor de saúde, somado a reivindicações de outros atores sociais, está causando um impacto significativo e preocupante sobre o direito à saúde e agrava as persistentes falhas estruturais do sistema", diz um comunicado da ONU.
A nota acrescenta que o conflito "tem causado protestos universitários de apoio muito violentos, com o uso indiscriminado de dinamites, e deu lugar a práticas pelas quais membros do setor se auto-infligiram tratamentos físicos (crucificação, sutura da boca) equivalentes a maus-tratos e tortura que violam a dignidade humana".
Populista e nacionalista, Morales se limitou nesta sexta-feira a criticar os dirigentes da COB porque, segundo ele, defendem "privilégios".
"Como uma organização sindical, revolucionária, que usa o 'Che' (Guevara) em seu cartaz, pode defender um grupo de privilegiados?", questionou o governante.
Morales vive momentos de baixa popularidade, que não terminou nem com a desapropriação de uma filial de uma empresa elétrica espanhola no último dia 1º, quando antes as nacionalizações lhe davam grandes índices de aprovação nas pesquisas.
Dezenas de manifestantes bloquearam nesta sexta-feira em La Paz o acesso ao prédio da Vice-Presidência da República, atiraram tinta contra sua fachada e protestaram em frente ao Ministério da Saúde, embora não tenham ocorrido choques violentos com a polícia, como em dias prévios.
Houve também manifestações em Cochabamba, Potosí, Sucre, Tarija e Santa Cruz. Nas duas últimas, além disso, houve bloqueios das estradas que as rodeiam.
As vias que ligam a Bolívia a países vizinhos, como Brasil e Argentina, foram fechadas várias vezes nas últimas semanas, enquanto as associações de empresários se queixam das perdas bilionárias decorrentes da inação do governo.
A Fundação Milênio, centro de estudos privado que analisa a crônica de conflito boliviana, comentou nesta sexta-feira que Morales parece despreocupado com os conflitos porque avalia que boa parte dos que protagonizam o caos sejam seus aliados, e o líder acredita que "não querem derrubá-lo" do poder.
"Mas estão imobilizando-o e o impedem de governar, além de afetar seriamente os cidadãos e danificar seus esforços produtivos", destaca o Milênio, que registrou 80 conflitos em março e 100 em abril.
Ao término de três dias de greve geral nesta sexta-feira, o líder da Central Operária Boliviana (COB), maior entidade sindical do país, o mineiro Juan Carlos Trujillo, advertiu a Morales que, se o governo continuar sem dar respostas às reivindicações dos sindicatos, os manifestantes radicalizarão os protestos na próxima semana.
A greve da COB, uma das maiores bases de apoio que Morales perdeu desde que chegou ao poder em 2006, teve pouco eco nos centros de trabalho, pois só foi total em hospitais estatais e universidades, embora reforçada por grandes manifestações e bloqueios de vias em várias regiões.
Trujillo classificou como êxito as mobilizações da COB e disse que Morales "tem a obrigação de responder favoravelmente" a suas demandas, como um aumento salarial superior a 8% aprovado pelo líder e a derrogação do decreto que eleva a jornada de trabalho de médicos e funcionários de saúde de seis para oito horas.
A COB anunciou nesta sexta-feira que, na próxima semana, haverá uma reunião de dirigentes em Oruro e poderia decidir uma greve geral por tempo indeterminado.
Na segunda e terça-feira, os motoristas e proprietários de transporte público paralisaram totalmente La Paz e a cidade vizinha de El Alto, e em menor medida outros povoados, para contestar uma nova lei de trânsito. Diante da falta de soluções, também ameaçam retomar os protestos nos próximos dias.
A marcha de centenas de indígenas da Amazônia contra uma estrada promovida por Morales e financiada pelo Brasil, projetada para partir em duas a reserva natural Tipnis, segue avançando em direção a La Paz, apesar da fustigação do governo e de seus partidários.
Uma primeira passeata contra essa estrada percorreu quase 600 quilômetros entre agosto e outubro passados e conseguiu superar as barricadas de fiéis a Morales e a repressão policial, que custou o cargo a ministros, vice-ministros e comandantes policiais.
Os indígenas foram recebidos em La Paz de forma triunfal e obrigaram Morales a decretar uma lei que proíbe qualquer rodovia no Tipnis, mas o líder descumpriu sua palavra e busca retomar as obras, que lhe custaram seus princípios de ambientalista e indigenista.
O ministro de governo boliviano, Carlos Romero, afirmou nesta sexta-feira que os conflitos não têm chance de causar uma crise de governabilidade, em resposta aos políticos, colunistas e analistas que consideram esse risco maior a cada dia.
"Há reivindicações sociais e atores políticos que buscam se aproveitar dessa situação. Não diria que é desestabilizadora, porque não têm chances de provocar uma crise de governabilidade, e menos ainda uma crise de Estado", declarou Romero à rede de televisão "Uno".
O escritório da ONU na Bolívia manifestou preocupação porque os protestos afetam "os direitos humanos da população", e pediu ao governo "adotar todas as medidas a seu alcance para respeitar, proteger e garantir o usufruto desses direitos".
"O protesto impulsionado durante mais de 40 dias pelos trabalhadores do setor de saúde, somado a reivindicações de outros atores sociais, está causando um impacto significativo e preocupante sobre o direito à saúde e agrava as persistentes falhas estruturais do sistema", diz um comunicado da ONU.
A nota acrescenta que o conflito "tem causado protestos universitários de apoio muito violentos, com o uso indiscriminado de dinamites, e deu lugar a práticas pelas quais membros do setor se auto-infligiram tratamentos físicos (crucificação, sutura da boca) equivalentes a maus-tratos e tortura que violam a dignidade humana".
Populista e nacionalista, Morales se limitou nesta sexta-feira a criticar os dirigentes da COB porque, segundo ele, defendem "privilégios".
"Como uma organização sindical, revolucionária, que usa o 'Che' (Guevara) em seu cartaz, pode defender um grupo de privilegiados?", questionou o governante.
Morales vive momentos de baixa popularidade, que não terminou nem com a desapropriação de uma filial de uma empresa elétrica espanhola no último dia 1º, quando antes as nacionalizações lhe davam grandes índices de aprovação nas pesquisas.
Dezenas de manifestantes bloquearam nesta sexta-feira em La Paz o acesso ao prédio da Vice-Presidência da República, atiraram tinta contra sua fachada e protestaram em frente ao Ministério da Saúde, embora não tenham ocorrido choques violentos com a polícia, como em dias prévios.
Houve também manifestações em Cochabamba, Potosí, Sucre, Tarija e Santa Cruz. Nas duas últimas, além disso, houve bloqueios das estradas que as rodeiam.
As vias que ligam a Bolívia a países vizinhos, como Brasil e Argentina, foram fechadas várias vezes nas últimas semanas, enquanto as associações de empresários se queixam das perdas bilionárias decorrentes da inação do governo.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Greve de motoristas bolivianos provoca violência em véspera de greve nacional
Moradores das cidades bolivianas de La Paz e El Alto trocaram nesta
terça-feira golpes e pedradas com motoristas que bloquearam a ligação
entre as duas cidades desde segunda-feira contra uma nova lei de
trânsito urbano, na véspera de uma greve de 72 horas da Central Operária
Boliviana (COB) contra o presidente Evo Morales.
A imprensa local informa que houve pelo menos sete feridos em uma batalha campal com pedras e paus, num bairro no limite entre La Paz e El Alto, a 4 mil metros de altitude. Não há dados oficiais sobre os feridos nos incidentes.
Na sétima semana de conflitos que o governo parece incapaz de deter, os moradores reagiram com fúria porque os motoristas passaram a noite nos pontos de bloqueio, alguns bêbados, e não deixavam passar nem sequer ambulâncias, segundo constataram correspondentes da Agência Efe.
Em outros lugares, como a estrada que liga La Paz a El Alto (quase 1 milhão de habitantes cada uma), houve incidentes causados por moradores e inclusive por alguns motoristas que queriam trabalhar e foram agredidos por colegas armados com paus e cintos.
Milhares de pessoas marcharam pelas íngremes ruas de La Paz para chegar ao trabalho, enquanto outras desceram de El Alto por ladeiras, barrancos e bairros marginais, da mesma forma que na segunda-feira.
Os motoristas bloquearam as principais vias com veículos, grandes pedras, fogueiras, troncos de árvores e objetos diversos.
A polícia liberou algumas vias nesta terça-feira e o governo ofereceu transporte gratuito ao povo, ao contrário de segunda-feira, quando se limitou a pedir o diálogo entre motoristas e a Prefeitura de La Paz, em mãos da oposição.
Os motoristas rejeitam a lei de La Paz que busca melhorar o transporte público, porque consideram que ela põe em risco seus trabalhos com um sistema de transporte em massa com ônibus.
O prefeito de La Paz, Luis Revilla, disse que não negociará 'sob pressão' e ratificou suas críticas à Polícia Nacional por não agir na segunda-feira contra os bloqueios, como se fez em semanas anteriores contra marchas de médicos, universitários e professores, entre outros.
O ministro de governo boliviano, Carlos Romero, negou em entrevista coletiva que a polícia tenha sido inativa na segunda-feira e afirmou que as manifestações desta segunda e terça-feira não são similares.
Os líderes da COB, maior organização sindical da Bolívia, até pouco tempo atrás aliada de Morales, confirmaram a convocação de uma greve geral de 72 horas a partir desta quarta-feira, por reivindicações salariais.
A imprensa local informa que houve pelo menos sete feridos em uma batalha campal com pedras e paus, num bairro no limite entre La Paz e El Alto, a 4 mil metros de altitude. Não há dados oficiais sobre os feridos nos incidentes.
Na sétima semana de conflitos que o governo parece incapaz de deter, os moradores reagiram com fúria porque os motoristas passaram a noite nos pontos de bloqueio, alguns bêbados, e não deixavam passar nem sequer ambulâncias, segundo constataram correspondentes da Agência Efe.
Em outros lugares, como a estrada que liga La Paz a El Alto (quase 1 milhão de habitantes cada uma), houve incidentes causados por moradores e inclusive por alguns motoristas que queriam trabalhar e foram agredidos por colegas armados com paus e cintos.
Milhares de pessoas marcharam pelas íngremes ruas de La Paz para chegar ao trabalho, enquanto outras desceram de El Alto por ladeiras, barrancos e bairros marginais, da mesma forma que na segunda-feira.
Os motoristas bloquearam as principais vias com veículos, grandes pedras, fogueiras, troncos de árvores e objetos diversos.
A polícia liberou algumas vias nesta terça-feira e o governo ofereceu transporte gratuito ao povo, ao contrário de segunda-feira, quando se limitou a pedir o diálogo entre motoristas e a Prefeitura de La Paz, em mãos da oposição.
Os motoristas rejeitam a lei de La Paz que busca melhorar o transporte público, porque consideram que ela põe em risco seus trabalhos com um sistema de transporte em massa com ônibus.
O prefeito de La Paz, Luis Revilla, disse que não negociará 'sob pressão' e ratificou suas críticas à Polícia Nacional por não agir na segunda-feira contra os bloqueios, como se fez em semanas anteriores contra marchas de médicos, universitários e professores, entre outros.
O ministro de governo boliviano, Carlos Romero, negou em entrevista coletiva que a polícia tenha sido inativa na segunda-feira e afirmou que as manifestações desta segunda e terça-feira não são similares.
Os líderes da COB, maior organização sindical da Bolívia, até pouco tempo atrás aliada de Morales, confirmaram a convocação de uma greve geral de 72 horas a partir desta quarta-feira, por reivindicações salariais.
Elétrica espanhola lamenta estatização na Bolívia
O presidente da Rede Elétrica de Espanha (REE), José Folgado, disse
nesta segunda-feira (07/05), em La Paz, que lamenta a estatização de sua
subsidiária Transportadora de Eletricidade (TDE) na Bolívia, após o
anúncio do governo boliviano sobre uma "pequena" indenização ou até
"nada".
"Mentiria se dissesse que ficamos satisfeitos com a expropriação da Transportadora de Eletricidade" (TDE), na qual a REE tinha 99,94% das ações, afirmou José Folgado após uma reunião com o ministro de Hidrocarbonetos, Juan José Sosa.
Antes do encontro, o vice-presidente boliviano, Álvaro García, revelou que a indenização paga à REE será "pequena, mínima" ou até "nada".
"Qualquer estatização implica em uma pequena, mínima compensação, e neste caso se dará se a avaliação indicar isto, mas talvez conclua que não devemos pagar nada", disse García em entrevista coletiva.
Folgado e Sosa mantiveram em La Paz a primeira reunião para discutir os parâmetros da indenização paga à REE, que La Paz promete realizar no prazo de 180 dias.
"Foi uma primeira reunião, informativa principalmente, de tudo o que vamos realizar como Estado sobre a estatização da Transportadora de Eletricidade", explicou o ministro dos Hidrocarbonetos.
Sosa avaliou que desde que foi privatizada, em 1997, os investimentos na Transportadora de Eletricidade somaram 81 milhões de dólares, mas García garante que a TDE não vale mais que 5 milhões de dólares.
Já a REE, que assumiu o controle da TDE em 2002, afirma que o "patrimônio líquido da companhia" chega a 164 milhões de dólares.
"Mentiria se dissesse que ficamos satisfeitos com a expropriação da Transportadora de Eletricidade" (TDE), na qual a REE tinha 99,94% das ações, afirmou José Folgado após uma reunião com o ministro de Hidrocarbonetos, Juan José Sosa.
Antes do encontro, o vice-presidente boliviano, Álvaro García, revelou que a indenização paga à REE será "pequena, mínima" ou até "nada".
"Qualquer estatização implica em uma pequena, mínima compensação, e neste caso se dará se a avaliação indicar isto, mas talvez conclua que não devemos pagar nada", disse García em entrevista coletiva.
Folgado e Sosa mantiveram em La Paz a primeira reunião para discutir os parâmetros da indenização paga à REE, que La Paz promete realizar no prazo de 180 dias.
"Foi uma primeira reunião, informativa principalmente, de tudo o que vamos realizar como Estado sobre a estatização da Transportadora de Eletricidade", explicou o ministro dos Hidrocarbonetos.
Sosa avaliou que desde que foi privatizada, em 1997, os investimentos na Transportadora de Eletricidade somaram 81 milhões de dólares, mas García garante que a TDE não vale mais que 5 milhões de dólares.
Já a REE, que assumiu o controle da TDE em 2002, afirma que o "patrimônio líquido da companhia" chega a 164 milhões de dólares.
domingo, 6 de maio de 2012
Médicos desconfiam de Morales e mantêm protestos na Bolívia
Os médicos e os funcionários da saúde pública veem com desconfiança o anúncio do presidente boliviano, Evo Morales, sobre a suspensão do decreto que aumenta sua jornada de trabalho de seis para oito horas e exigem sua anulação definitiva para cessar a greve que começaram há seis semanas.
Um dirigente da Confederação de Trabalhadores de Saúde, José González, disse à Agência Efe que a suspensão do decreto anunciada ontem à noite por Morales 'não é uma garantia', nem existe juridicamente.
'Por esse caminho não vamos encontrar a solução para esse conflito. A determinação da Confederação e da Central Operária Boliviana (COB) é clara: estamos pedindo ao presidente que anule integralmente o decreto para que possam suspender as medidas de pressão', explicou.
Esse critério é partilhado pelo presidente do Colégio Médico da Bolívia, Alfonso Barrios, para quem o anúncio de Morales 'poderia ser uma distração' para desmobilizar os grevistas.
'Por enquanto não podemos suspender as medidas de pressão porque há suscetibilidade. Desconfiamos dos anúncios', declarou Barrios à emissora de rádio 'Erbol'.
Lembrou o caso dos indígenas que rejeitam uma estrada no parque natural Tipnis, que em 2011, após uma passeata de 66 dias até La Paz, conseguiram que Morales sancionasse uma lei que proíbe qualquer projeto viário nessa reserva amazônica, mas depois se arrependeu e insiste em retomar as obras, financiadas por uma empresa brasileira.
Barrios assinalou que aguardarão algum documento oficial sobre o anúncio de Morales para analisá-lo com os colégios departamentais de médicos e que eles definirão se terminam ou não os protestos.
Tanto os médicos como os demais funcionários de saúde aceitaram o convite de Morales para uma 'cúpula nacional' em julho para criar um novo sistema de saúde, mas insistem que primeiro deve ser anulado de forma definitiva o decreto que aumenta sua jornada.
Apoiados por estudantes de medicina e membros da COB, a maior organização sindical boliviana, ambos coletivos estão parados desde o dia 28 de março.
Formaram piquetes de greves de fome e realizam diariamente manifestações e bloqueios em todo o país, argumentando que o decreto não foi pactuado nem resolverá as carências da saúde da Bolívia.
Morales se retratou ontem à noite, pelo menos na palavra, de sua decisão sobre as oito horas de jornada de trabalho para os médicos e demais funcionários, assediado por protestos que aumentaram e se tornaram violentos nos últimos dias.
Na quinta e na sexta-feira grupos de médicos, funcionários e estudantes de medicina fecharam estradas que ligam a Bolívia ao Brasil e à Argentina e enfrentaram agentes antidistúrbios.
Um dirigente da Confederação de Trabalhadores de Saúde, José González, disse à Agência Efe que a suspensão do decreto anunciada ontem à noite por Morales 'não é uma garantia', nem existe juridicamente.
'Por esse caminho não vamos encontrar a solução para esse conflito. A determinação da Confederação e da Central Operária Boliviana (COB) é clara: estamos pedindo ao presidente que anule integralmente o decreto para que possam suspender as medidas de pressão', explicou.
Esse critério é partilhado pelo presidente do Colégio Médico da Bolívia, Alfonso Barrios, para quem o anúncio de Morales 'poderia ser uma distração' para desmobilizar os grevistas.
'Por enquanto não podemos suspender as medidas de pressão porque há suscetibilidade. Desconfiamos dos anúncios', declarou Barrios à emissora de rádio 'Erbol'.
Lembrou o caso dos indígenas que rejeitam uma estrada no parque natural Tipnis, que em 2011, após uma passeata de 66 dias até La Paz, conseguiram que Morales sancionasse uma lei que proíbe qualquer projeto viário nessa reserva amazônica, mas depois se arrependeu e insiste em retomar as obras, financiadas por uma empresa brasileira.
Barrios assinalou que aguardarão algum documento oficial sobre o anúncio de Morales para analisá-lo com os colégios departamentais de médicos e que eles definirão se terminam ou não os protestos.
Tanto os médicos como os demais funcionários de saúde aceitaram o convite de Morales para uma 'cúpula nacional' em julho para criar um novo sistema de saúde, mas insistem que primeiro deve ser anulado de forma definitiva o decreto que aumenta sua jornada.
Apoiados por estudantes de medicina e membros da COB, a maior organização sindical boliviana, ambos coletivos estão parados desde o dia 28 de março.
Formaram piquetes de greves de fome e realizam diariamente manifestações e bloqueios em todo o país, argumentando que o decreto não foi pactuado nem resolverá as carências da saúde da Bolívia.
Morales se retratou ontem à noite, pelo menos na palavra, de sua decisão sobre as oito horas de jornada de trabalho para os médicos e demais funcionários, assediado por protestos que aumentaram e se tornaram violentos nos últimos dias.
Na quinta e na sexta-feira grupos de médicos, funcionários e estudantes de medicina fecharam estradas que ligam a Bolívia ao Brasil e à Argentina e enfrentaram agentes antidistúrbios.
Festival IndieLisboa premia curta sobre mineiros bolivianos
O curta-metragem boliviano 'Juku', do diretor Kiro Russo, foi agraciado no festival de cinema independente IndieLisboa com o Grande Prêmio de Curta-Metragem, informaram neste sábado (05/05) os organizadores do evento.
A produção argentino-boliviana, que superou mais de 40 obras concorrentes, tem 18 minutos de duração e retrata o dia a dia dos mineiros que trabalham na colina de Posokoni, a maior jazida de estanho da Bolívia. O lugar foi palco de confrontos entre operários e cooperativistas em 2006, quando 16 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas.
A Menção Honrosa do festival foi concedida ao curta-metragem 'Praça Walt Disney', ambientado no Recife e realizado pelos brasileiros Renata Pinheiro e Sergio Oliveira.
Com nove sessões oficiais e um total de 233 filmes em cartaz, o IndieLisboa começou no dia 26 de abril e termina neste fim de semana com a divulgação da lista de vencedores.
A produção argentino-boliviana, que superou mais de 40 obras concorrentes, tem 18 minutos de duração e retrata o dia a dia dos mineiros que trabalham na colina de Posokoni, a maior jazida de estanho da Bolívia. O lugar foi palco de confrontos entre operários e cooperativistas em 2006, quando 16 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas.
A Menção Honrosa do festival foi concedida ao curta-metragem 'Praça Walt Disney', ambientado no Recife e realizado pelos brasileiros Renata Pinheiro e Sergio Oliveira.
Com nove sessões oficiais e um total de 233 filmes em cartaz, o IndieLisboa começou no dia 26 de abril e termina neste fim de semana com a divulgação da lista de vencedores.
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